O setor automotivo brasileiro atravessa um momento de transição que não cabe mais em manchetes genéricas. Em junho de 2026, a conversa deixou de ser apenas sobre lançamentos e passou a girar em torno de infraestrutura, política industrial e o jeito como as cidades reorganizam o espaço para carros, ônibus e bicicletas.
Na Roda Viva, acompanhamos essas mudanças com olhar de reportagem — não de catálogo. Isso significa ir além da ficha técnica: entender por que determinado modelo chega com preço mais alto, como concessionárias estão se adaptando à demanda por híbridos e o que prefeituras estão de fato entregando em corredores de ônibus e ciclovias.
Esta semana, três frentes dominam a pauta. Os elétricos ganharam tração em capitais do Sudeste, mas o interior ainda depende de incentivos locais e da expansão de pontos de recarga em rodovias. Em São Paulo, o debate sobre mobilidade urbana voltou à mesa com revisões no planejamento de corredores e a pressão por integração entre metrô, CPTM e ônibus municipais. E na indústria, montadoras nacionais aceleram parcerias para componentes, num cenário em que exportação e mercado interno puxam estratégias diferentes.
Se você trabalha no setor, estuda urbanismo ou simplesmente quer entender para onde o trânsito brasileiro está indo, este é o ponto de partida. Abaixo, nossas matérias mais recentes e a seleção editorial da redação.
Também vale ficar de olho no mercado de seminovos: com mais elétricos e híbridos circulando, a revenda começa a criar faixas de preço que não existiam há dois anos. Isso afeta desde o comprador de primeira viagem até o gestor de frota que renova contrato anual.
Em Brasília, o debate sobre política industrial voltou a incluir veículos híbridos e elétricos em programas de incentivo. Não é consenso: montadoras defendem prazos mais longos para adaptação de linhas, enquanto importadores pressionam por regras que facilitem modelos montados fora do Mercosul. Acompanhamos essas discussões sem tomar partido de fabricante — o critério é impacto para quem compra e para quem trabalha na cadeia.
Na ponta da experiência do motorista, apps de mobilidade e operadoras de aluguel por assinatura continuam testando frotas eletrificadas em bairros nobres antes de expandir. O padrão se repete: piloto em Pinheiros ou Leblon, depois tentativa de escalar para zonas com menos infraestrutura. Entender esse ritmo ajuda a separar tendência real de experimento de marketing.
Por fim, vale mencionar o frete rodoviário: caminhões elétricos ainda são raros nas rodovias, mas pilotos em rotas curtas entre centros de distribuição ganham espaço. Acompanhamos esses testes porque impactam diretamente o custo logístico que chega ao consumidor final.